Dave Phillips

30.10.2011    Estúdio Cafeine, Sao Paulo, Brazil.

field recordings & video action

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REVIEWS

Noise é um tipo de som, que pode te deixar maluco, ou pode te fazer refletir. O desconforto que os ruídos causam, aliados a outros artifícios, despertam em nosso íntimo questões acomodadas pelo correr do dia-a-dia. Nesse último domingo, dia 30 de outubro, pude presenciar a performance, do suiço, fundador do Fear of God, Dave Phillips no Caffeine Sound Studio, local que lembra um squat, decorado com dezenas de cartazes bacanas, lambes, stencils, grafites, stickers e tudo mais que se possa colocar em uma parede, além de muitos colchões espalhados pelos recinto. IMPRESSÕES A apresentação foi dividida em dois blocos: produção de ruídos e performance de noise somado a audio-visual. Confesso que na primeira parte, não consegui assistir toda a apresentação, os ruídos estavam muito altos e a minha cabeça parecia um balão, prestes a explodir. No entanto, assisti a segunda inteira, e meu choque foi tanto, que no final da mesma estive a ponto de chorar. Phillips, nos lembrou de todo massacre que os animais são submetidos todos os dias e ainda de que essa é uma realidade que está longe de mudar. Com barulhos e berros que casados às imagens, pareciam vir dos próprios animais que as cenas mostravam, Dave parecia sentir a dor que aqueles estavam sentindo. O andar nervoso no pouco espaço, fez com que o mesmo adentrasse em meio ao público, e utilizando de uma bexiga, extraiu sons que chegavam a fazer com que EU sentisse o terror que os animais das imagens sentiam, e o disparo no coração, quando a bexiga era estourada, e o animal, brutalmente, era morto. Era como se eu fosse morta, também. A PERFORMANCE Dave não utilizou apenas ruídos extraídos de sintetizadores, usou o corpo, a voz e objetos, além desses efeitos. A entrega ao tema foi tão intensa, que após seguidos sons de tic-tac, e a imagem de um animal aguardando ofegante e após sofrendo descargas elétricas em testes, Phillips estava exausto, transpirando muito, caído de joelhos ao chão. Foi aplaudido por muito tempo, quando as luzes foram acesas. EFEITOS Já assisti a vários tipos de performances ao vivo, no entanto essa foi a que mais surtiu efeito em mim. Esse live-action entrou no meu íntimo, e por mais que eu já soubesse de todo mal que abrange esse mundo, sobre toda a dor que os animais sentem, foi o mais próximo que eu cheguei de sentir a dor alheia. Intenso do princípio, com o respirar de quem está tentando reunir forças, direto até o fim, com o respirar ofegante de quem sofre. As frases que intercalavam os vídeos (que foram, especialmente, traduzidas para o português), não questionava apenas aos que preferem ignorar o massacre animal (escolha sua máscara), mas apontava o dedo na cara dos já conscientes dessa realidade, instigando que é necessário fazer algo mais. Resumidamente, ele conseguiu sintonizar meus sentidos e passar com êxito sua mensagem, me tornando ainda mais consciente, de que aquilo que eu já sabia que acontecia de errado, é ainda pior. Ele pede ‘consciência’ aliada de ‘mudança’.

(clandestina secreta, charlotte is dead)